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Cia Triptal faz temporada virtual de texto raro de Tennessee Williams

Serão 12 sessões gratuitas da peça que tem André Garolli na direção e o elenco conta com Camila dos Anjos, Fernando Vieira, Fabrício Pietro e mais 37 atores. O público também pode participar de um debate sempre após o espetáculo. A montagem é dedicada à memória de quatro homens torturados que morreram em uma prisão americana, em agosto de 1938. A cia também conta com ensaio aberto para um próximo projeto e participou de um documentário do Sesc Pinheiros sobre a interrupção de seus trabalhos na pandemia.




O ano de 2020 marcou os 30 anos da Cia Triptal que estava prestes a estrear mais uma temporada de Inferno – Um Interlúdio Expressionista no Teatro Alfredo Mesquitatrabalho inspirado em Not About Nightingales, obra escrita por Tennessee Williams (1911 – 1983). Porém, com a pandemia e o fechamento dos teatros, a cia teve que mudar completamente seus planos.


Além de fazer uma série de atividades e pesquisas de forma on-line durante o período de lockdown, o espetáculo volta para uma temporada virtual que foi gravada no Teatro João Caetano, em 2019, e editado pela Polaco Filmes. As sessões são gratuitas e acontecem de 27 de setembro a 8 de outubro, todos os dias às 19h30, seguido por debate. A direção é de André Garolli e o elenco conta com Camila dos Anjos, Fernando Vieira, Fabrício Pietro e mais 37 atores. Para reservar o ingresso, o público pode acessar o Sympla. Esta atividade é parte do projeto contemplado no Edital Prêmio Aldir Blanc de Apoio à Cultura da Secretaria Municipal de Cultura.

 

A montagem retrata a atrocidade que realmente ocorreu em uma prisão em Holmesburg, Pennsylvania, em 1938. Um grupo de 25 presos realizou uma greve de fome e como punição foi trancado em uma cela fechada com vapor aquecido. Quatro deles morreram assados, e quando a notícia da brutalidade foi disseminada por meio dos jornais, a opinião pública americana ficou indignada. O texto foi escrito quando Tennessee Williams tinha apenas 27 anos de idade e foi descoberto somente nos anos 90.

 

André Garolli conta sobre as dificuldades enfrentadas pela cia e quais foram as alternativas para prosseguir. “Nossos encontros via plataformas digitais seguiram ao longo de todo período de pandemia e foram ferramentas importantes no suporte emocional e criativo dos integrantes. A falta de trabalho e as dificuldades financeiras impactaram negativamente em todos nós e os encontros serviram como base de troca de experiências e auxílio mútuo. Porém quase metade dos integrantes se afastaram de seus interesses artísticos por falta de suporte financeiro. A continuidade de nossas atividades com o subsídio da Lei Aldir Blanc foi um fator essencial para manutenção coletivo. Mesmo com a flexibilização dos teatros, com 40 atores e atrizes em cena e os devidos protocolos de segurança contra Covid-19, ficou inviável a realização presencial de “Inferno” até o final de 2021 e o projeto precisou ser adaptado para o formato de exibição on-line”.

 

Antes da pandemia, a montagem teve temporadas no Oficina Cultural Oswald de Andrade, Teatro João Caetano, Viga Espaço Cênico, Cia da Revista, Teatro Flávio Império, CEU’s, Escola Estadual Albino César e chegou atingir um público estimado de 18.300 pessoas. A peça foi destaque em diversas premiações: Ganhou o prêmio de melhor estreia de 2019 pelo Guia da Folha de S. Paulo; indicado por “Melhor Direção” pelo Prêmio SHELL (André Garolli); recebeu 3 indicações pelo Prêmio Aplauso Brasil – “Melhor Espetáculo de Grupo”, “Melhor Arquitetura Cênica” e “Melhor Ator” (Fabrício Pietro); venceu em 8 categorias do Prêmio Cenym – “Melhor Espetáculo”, “Melhor Direção” (André Garolli), “Melhor Elenco”, “Melhor Ator” (Fabrício Pietro), “Melhor Atriz Coadjuvante” (Camila dos Anjos), “Melhor Texto Adaptado” (Luis Marcio Arnout), “Melhor Direção de Arte” (André Garolli), Melhor Cenário (André Garolli).

 

Inferno – Um Interlúdio Expressionista

“Essa dramaturgia tem uma grande dose de horror, violência, sangue e morte. Ele nos mostra os problemas e as consequências de usarmos ações disciplinares arcaicas e brutais, e que infelizmente, ao relermos setenta anos depois, percebemos que pouca coisa mudou. É uma história verídica que serviu para rever questões do sistema carcerário nos Estados Unidos e dos direitos humanos”, conta Garolli.

 

Cenograficamente, o espetáculo é dividido em duas características: realista com os móveis da diretoria e expressionista com a representação das celas. O enclausuramento foi um dos temas focados durante o processo, o que refletiu no cenário que evoca o sentido de aglomeração das pessoas por meio de um empilhamento de cadeiras. Os figurinos incorporam uma época que se passa em meio aos anos 30 e 40, pós crise de 1929. Preto e cinza marcam a palheta de cores predominantes em cena, a maquiagem contribui para causar o efeito padronizado do aprisionamento.

 

O reaparecimento desse trabalho engavetado de um autor como Tennessee Williams chocou e surpreendeu muitos críticos e estudiosos, quando foi realizada a montagem pela primeira vez em Londres no ano de 1998. Escrito no final de 1938, mas nunca produzido até sessenta anos depois, a obra oferece um retrato muito diferente de seu autor ícone, um dramaturgo que é mais conhecido por seu lirismo e comoventes retratos de personagens tão vulneráveis como Laura Wingfield (À Margem da Vida) e Blanche DuBois (Um Bonde Chamado Desejo).

 

O diretor ressalta a importância desse texto do dramaturgo. “Tennessee defendia uma crítica aos padrões estabelecidos pelo “mainstream” e coloca em pauta o marginalizado, “os perdedores” e os fora do padrão normativo (à deriva). Lança um olhar crítico e distanciado sobre a sociedade, uma vez que se recusa a julgar os personagens e estabelecer morais de conduta”.

 

A peça surgiu a partir do projeto Homens À Deriva foi contemplado no 32º edital de Fomento ao Teatro, iniciativa que aborda as possibilidades de aprisionamento em que uma sociedade pode levar uma pessoa. Durante o processo, houve uma convocatória pública direcionada para atores e estudantes da área e atraiu 217 pessoas que participaram de diversas fases até fechar o elenco.

 

O projeto Homens à Deriva faz parte de uma trilogia que iniciou com Homens Ao Mar (2004-2009) com peças de Eugene O'Neill, o segundo foi Homens à Margem (2011 – 2014) com trabalhos que focavam na marginalidade. “Homens à Deriva vem do sentindo que quando eles são retirados da sociedade para o cárcere, ao retornar, ficam a esmo, emprego e família ficam destruídas. Todos esses tipos de violência foram gatilhos que inspiram toda a montagem”, enfatiza o diretor.

 

André Garolli também foi convidado para participar do Provincetown Tennessee Williams Theater Festival, que foi realizado em setembro de 2019 em Provincetown, cidade localizada no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos. Uma forma de ficar ainda mais próximo com o universo do dramaturgo por meio de palestras e simpósios, uma valorização dos projetos realizados nos últimos anos.

 

Do palco para o universo digital

Apesar das interrupções devido a pandemia, a Cia Triptal mantém diversas ações on-line. A partir de 18 de outubro, inicia o processo dos Ensaios abertos Cia Triptal. São encontros abertos para interessados no estudo em andamento do coletivo, que irá resultar em peça inédita em 2022. Nas atividades, serão compartilhados exercícios cênicos, leituras e debates no intuito de testar o diálogo do tema com o público. Os encontros serão pelo Zoom. Os interessados devem em contato por mensagem direta no perfil no Instagram (https://www.instagram.com/ciatriptal/ ) para mais informações.

 

A cia também realizou outras pesquisas de maneira remota. O Coro Trágico na Obra de Jorge de Andrade com coordenação de André Garolli e orientação de Marco Antônio Guerra. Late Plays de Tennessee Williams trouxe em leituras dramáticas obras de Tennessee Williams e focou em peças da última fase da carreira do dramaturgo, as chamadas late plays, escritas entre 1962 e 1983, além de dramaturgias da primeira fase e algumas mais conhecidas. As traduções foram realizadas por Luis Marcio Arnaut. E Dramaturgia Nacional é uma pesquisa de dramaturgias brasileiras fundamentais para o panorama histórico do teatro, seguidas de bate-papos entre o núcleo artístico, com mediação de professores e/ou artistas convidados. Foram lidos textos de Martins Penna, Jorge de Andrade, Oduvaldo Vianna Filho, João do Rio, Anamaria Nunes, Nelson Rodrigues, entre outros. A coordenação foi de Mônica Granndo e André Garolli.

 

Em julho deste ano, o Sesc Pinheiros lançou documentário sobre a interrupção da pesquisa da Cia Triptal em decorrência da pandemia, dentro do projeto Artes Cênicas Em Processo. O filme segue disponível no Youtube.

 

FICHA TÉCNICA

Inspirado no texto Not About Nightingales, de Tennessee Williams, dentro do projeto Homens À Deriva. Direção: André Garolli. Assistente de direção: Mônica Granndo. Elenco: Camila dos Anjos, Fernando Vieira, Fabrício Pietro, e mais 37 atores. Produção: Cia. Triptal. Assistência de Produção Geral: Giulia Oliveira. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes.


INFERNO UM INTERLÚDIO EXPRESSIONISTA

- CIRCULAÇÃO ON-LINE 

Projeto realizado com apoio da Lei Aldir Blanc na Cidade de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura/Prefeitura Municipal de São Paulo e do Governo Federal.


Direção de Produção: André Garolli e Fabrício Pietro. Elaboração de Projeto: André Garolli, Fabrício Pietro e Camila dos Anjos. Assistente de Produção: Rafaelly Vianna. Produção e Finalização de Vídeo: Polaco Filmes. Operação de Streaming: Bruza. Arte Design: Nando Medeiros. Operação de Mídias Sociais: Fabrício Pietro e Carol Rossi. Produção Administrativa: Amanda Leones - Versa Cultural. Assessoria Contábil: Executiva Contabilidade. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Realização: Cia Triptal e Pietro Arte.


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Ficha técnica:

Inspirado em “Not About Nightingales”, de Tennessee Williams. Direção: André Garolli. Tradução-Revisão-Dramaturgia: Luis Marcio Arnaut. Assistente de Direção: Mônica Granndo. Elenco: Camila dos Anjos, Fernando Vieira, Fabrício Pietro, Athos Magno e Simone Rebequi. Atuadores Coral: Alan Recoba, Bella Santos, Bruza, Carol Rossi, Diego Versali, Eduardo Carrilho, Fábul Henrique, Felipe Cardoso, Fernanda Otaviano, Nando Medeiros, Gabriel Ornelas, Gabriela Carriel, Geovane de Oliveira, Guilherme Maia, Igor Constantinov, Ingrid Arruda, Isadora Maria, Jenifer Costa, Jhonatan Bào, Joel Rodrigues, Jorge Filho, Larissa Palacio, Lucas Guerini, Lucas Argüello, Luiza Módolo, Mayara Villalva, Rafael Custódio, Rafaelly Vianna, Roana Paglianno, Wes Machado. Desenho de Luz: Aline Santini. Cenografia: André Garolli e Cesar Rezende (Basquiat). Figurino: Marichilene. Visagismo: Beto França. Direção Musical: Pax Bittar. Operador de Luz: Lucas Arguello. Operador de Som: Marcelo Rocha. Coreografia de Movimento: Luiza Módolo. Produção: Cia. Triptal de Teatro. Assistência de Produção Geral. Giulia Oliveira. Ensaios: Oficina Cultural Oswald Andrade: Foto Divulgação: Alexandre Inserra. Arte Design: Nando Medeiros e Carol Rossi. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes.

 

SERVIÇO:

INFERNO UM INTERLÚDIO EXPRESSIONISTA (Gravado no Teatro João Caetano de São Paulo em 2019)

Temporada: De 27 de setembro a 8 de outubro. Todos os dias às 19h30. Duração: 120 Minutos. Classificação: 16 Anos. Grátis.


Ingressoshttps://www.sympla.com.br/produtor/ciatriptaldeteatro


Assessoria de imprensa Adriana Balsanelli

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